Radiações: As radiações são as não ionizantes e as ionizantes. As não ionizantes são do tipo das ondas luminosas, raios infravermelhos, raios ultravioletas, microondas, transmissões radiofônicas, etc. As ionizantes são radiações eletromagnéticas dotadas de um comprimento de onda muito pequeno e originárias de uma fonte radioativa. Dentre elas, temos os raios cósmicos, capazes de atravessar todos os corpos e objetos existentes nas superfícies da terra. Outros tipos de radiações ionizantes provêm de explosões da superfície do Sol. São formadas por raios gama e por raios roentgen (raios x). Pode haver, ainda, radiações oriundas de explosões atômicas feitas pelo homem nas altas camadas da atmosfera, ou mesmo na superfície terrestre. A maior parte destas radiações ionizantes é retida e desintegrada pela atmosfera, de modo que, em condições normais, só chegam até nós, doses compatíveis com a vida.
As radiações ionizantes têm o poder de causar alterações celulares no organismo humano e depende do tempo de exposição, da dosagem e grandeza da absorção. Se muito intensas, poderão causar danos à medula óssea e a outros órgãos formadores da célula do sangue, ao fígado, rins e ao sistema nervoso.
Na aviação comercial, a absorção de radioatividade por tripulantes e passageiros é a mesma do pessoal que está em terra. Nos aviões supersônicos, sensores de nêutrons transformam a energia radioativa em luminosa alertando o Comandante, que imediatamente baixa o avião.
Oscilações da Temperatura e Luminosidade: Há uma progressiva queda da temperatura com o aumento da altitude, na razão de 2ºC para cada 1.000 pés. Essa queda de temperatura é causada pela diminuição do reflexo calórico da superfície terrestre e pela queda progressiva da pressão atmosférica com o aumento da altitude. Concomitantemente, há um aumento no grau de luminosidade, porque à medida que se sobe, deixa de existir a proteção das nuvens, névoa ou neblina. Isso agride os olhos, obrigando o aeronauta a se proteger ou adaptar-se, usando óculos escuros.
Durante o vôo, os efeitos da baixa temperatura e do excesso de luminosidade sobre o organismo nas grandes altitudes são: 1) Desconforto, entorpecimento, geladuras e até choque, devido à acentuada queda de temperatura; 2) Ofuscamento, em consequência de um excesso de luminosidade.
Alterações do Ritmo Circadiano - Jet Lag: O organismo dos seres vivos obedece a ritmos que são, em parte, controlados por uma função cerebral chamada "relógio biológico" e, em parte, por fatores ambientais como a umidade do ar, pressão atmosférica e luminosidade. O organismo humano possui regulagens hormonais que o liga fortemente ao lugar onde vive. Estas regulagens dependem da alternância rítmica entre luz e escuridão, ou seja, da sucessão de dias e noites. A cada anoitecer, a glândula pineal produz uma descarga de melatonina, que é um hormônio fotorreceptor, que avisa o organismo sobre o início de um novo período de repouso, alterando uma série de funções orgânicas. Entre essas funções está a redução da temperatura corporal que predispõe o indivíduo ao sono.
Essas mudanças cíclicas que se produzem com a chegada da noite são os chamados ciclos circadianos, porque se produzem apenas uma vez por dia, aproximadamente à mesma hora. São a vigília, o sono, a temperatura corporal, os níveis hormonais, a secreção do suco digestivo, o hábito intestinal e a capacidade crítica (temos ainda os ritmos que ocorrem em um tempo inferior a 24 horas e são chamados de "ritmos infradianos", tais como os batimentos cardíacos e os movimentos respiratórios).
As alterações do ritmo circadiano são sérias quando o organismo, em uma viagem aérea, ultrapassa 4 ou mais fusos horários, para leste ou para oeste. Isso força o organismo a mudar, de repente, o horário de seu relógio biológico, O corpo humano, submetido a um novo regime de luz e escuridão, continua funcionando, em parte, de acordo com o horário que possuía antes da mudança de fuso. Como consequência, surgem os distúrbios físicos resultantes da alteração do horário solar, tais como sensação de peso, lentidão dos movimentos, distúrbios gastrointestinais, alteração do sono, do criticismo, desorientação, depressão e até alteração do ciclo menstrual das mulheres.
Atualmente tenta-se minimizar os distúrbios do Jet Lag através do uso de comprimidos de melatonina sintética, tomados antes do início do vôo.
Pilotos e Comissários utilizam-se dos recursos já conhecidos. Nas viagens como breve estada, continuam a fazer tudo de acordo com os horários do seu ponto de partida, regulando seus repousos e refeições como se não houvessem mudado de fuso. Caso necessitem passar mais de uma semana fora de casa, a primeira medida é alterar o horário do relógio biológico desde o momento da decolagem, agindo, a partir daí, de acordo com o fuso horário do local de destino. Deste modo, o organismo começa a habituar-se às novas condições que irá encontrar.
Quando alterado, o ritmo circadiano volta à normalidade dentro de aproximadamente 48 horas.
Fatores Estressantes ao Vôo: Hipóxia, disbarismos, ruídos e vibrações, baixa umidade do ar, radiações, alterações do ciclo circadiano, oscilações de temperatura e luminosidade e a tensão emocional.
Fadiga Aérea: Consiste no acúmulo de resíduos metabólicos nas células após um período de atividade laborativa. Durante o vôo, o tripulante está sujeito não só à fadiga física, decorrente das atividades motoras realizadas no seu trabalho, mas também à fadiga mental, decorrente da atenção, da concentração e das decisões que devem ser tomadas no desempenho de sua profissão.
A fadiga aérea pode ser aguda ou crônica. Na aguda, após a jornada de trabalho, a pessoa se sente cansada fisicamente e com o limiar de atenção, concentração e capacidade de decisão um pouco mais baixa. Isso ocorre devido ao acúmulo de catabólicos nas células, o que diminui os reflexos, retardando o tempo de resposta aos estímulos. Um período de sono fisiológico de 6 a 8 horas é capaz de reverter totalmente esta situação. A fadiga aérea crônica, que em seu maior grau se chama estafa, é decorrente da não observação dos períodos de repouso após cada episódio agudo de fadiga. Nesses casos, o tripulante apresenta irritabilidade, insônia, asteria (perda de força muscular) e, muitas vezes, ptesiofobia (medo de voar). Nos casos mais graves chega a apresentar graus mais intensos de neurose de ansiedade e de neurose fóbica (o que certamente o incapacitará para o vôo).
Constituem também causas de fadiga aérea para o aeronauta, o uso de bebidas alcoólicas, uso imoderado do fumo, o uso de excitantes do sistema nervoso central, hipermotividade, preocupação com dificuldades financeiras, desajustes familiares e desajustes sociais.
A fadiga aérea, portanto, poderá refletir diretamente sobre a conduta profissional do aeronauta, ocasionando o decréscimo na execução das tarefas continuadas, omissão de serviços menores, displicência e falta de precisão no caráter pessoal ou no trabalho em equipe, necessidade de maior estímulo para produzir a mesma reação e maior frequência de faltas.
Mal do Ar (Aerocinetose): Síndrome causada por um conjunto de sintomas resultantes de um desequilíbrio neurovegetativo, psíquico e sensorial, ocasionado pelos movimentos complexos do avião durante o vôo. As pessoas que manifestam esse quadro são as suscetíveis (vagotônicas), com uma predisposição constitucional, ou ainda, devido, a uma reação emocional do medo de voar. Essas pessoas apresentam, com facilidade, náuseas, palidez da pele, prisão de ventre, instabilidade cardiovascular e hipotensão arterial. Tendem à salivação abundante, à fadiga fácil, à depressão, vertigens e sonolência.
O mal do ar também pode ser causado pela hiperexcitabilidade do labirinto, a hiperexcitabilidade oculomotora, os estímulos táteis, o deslocamento das vísceras, de massas sanguíneas e o estímulo olfativo.
As medidas de atendimento são: Aeração suficiente, evitando calor excessivo; Redução ao mínimo dos ruídos e trepidações, colocando o passageiro no centro de gravidade da aeronave; Iluminação suficiente; Recomendar ao passageiro que feche os olhos ou ponha uma venda (ou ainda que fixe com o olhar um ponto dentro da aeronave); Alimentação pobre em gorduras e rica em açúcares e frutas; Sugerir ao passageiro que afrouxe as roupas (evitando-se, com isso, dificultar os movimentos respiratórios); A melhor posição é a do passageiro com a poltrona mais reclinada possível (o que evita o deslocamento das vísceras em grande amplitude e cinto de segurança bem ajustado); Procurar distrair e tranquilizar o passageiro.
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