Armadilhas: O alimento de origem animal apresenta a vantagem de fornecer um teor bastante elevado de proteínas, sendo o de maior valor nutritivo por quilo de peso. Pode-se improvisar armadilhas com os recursos contidos no kit de sobrevivência ou materiais obtidos da própria selva.
A melhor hora para caçar é pela manhã bem cedo ou no final da tarde à noitinha. As armadilhas devem ser colocadas nas trilhas dos animais. A caça existe em maior quantidade próximo à àgua, nas clareiras e nas cercaneais dos bosques. A caça noturna costuma dar bons resultados, muitos animais movimentam-se à noite.
Animais grandes quando feridos ou protegendo os filhotes podem ser muito perigosos, Antes de se aproximar, certifique-se de que a caça está morta.
As armadilhas devem ser de fácil construção e armadas em local onde a trilha é mais estrita, sendo que o sobrevivente deverá providenciar obstáculos que obriguem a caça a passar pela armadilha, deixando o local com aspecto mais natural possível.
A armadilha que prende e eleva bem alto, e que consiste de um nó corrediço ligado a uma árvore bastante flexível, apresenta a vantagem de logo matar a presa, mantê-la fora do alcance dos outros animais e não precisar de isca, deixando o sobrevivente livre para outras atividades.
Os animais de tamanho médio e de grande porte podem ser capturados por meio de armadilhas ligadas a troncos que caem quando o animal agarra a isca ou agita o laço, porém este tipo de armadilha, devido ao trabalho que exige em prepará-la, é válida somente nas áreas onde existe caça grande em muita quantidade.
Outra armadilha em que não se emprega isca é aquela que utiliza um barbante esticado e atravessado na trilha da caça. Quando o animal tropeça no barbante o movimento faz desprender um tronco ou outro objeto, com a mesma finalidade.
Confeccionar atiradeiras com borracha poderá se tornar uma boa opção. Outra alternativa é fazer arapucas, cuja confecção é fácil e rápida.
Cuidados Especiais: Todas as cobras, exceto as cobras do mar, servem para comer; O tempo e o esforço que despender na construção de um curral de peixes deverá depender da séria necessidade de arranjar alimento e, também, do período que você pensa em permanecer no local em questão. O local deve ser escolhido quando a maré estiver alta e construído quando a maré estiver baixa.
Métodos para Preparar Alimentos
Assar: O processo de assar pelo "forno-no-chão", que é um buraco de tamanho adequado, aberto no chão seco, que pode ser forrado com pedras e aquecido por pequenas mas intensas fogueiras. Uma vez bem aquecido, são retirados os carvões quase extintos, colocando no "forno" o alimento a preparar, e logo hermeticamente fechado por meio de galhos cruzados cobertos de folhas largas, sobre as quais se coloca terra seca ou areia. É mais vagaroso do que a fogueira ao ar livre, mas exige menos atenção ao trabalho culinário e protege o alimento em preparação das moscas e outras pragas.
Moquear: Consiste em armar sobre uma fogueira uma grade de madeira verde (bambu), distando mais ou menos 50 centímetros do bambu. Para assar você pode envolver os alimentos em uma camada de barro ou de argila e, em seguida, assá-los diretamente nas chamas ou sobre as brasas de uma fogueira.
Cozimento Indireto sob o Fogo: Alimentos de pequenas dimensões poderão ser cozidos em regular quantidade, em uma escavação debaixo do fogo. Abrir um buraco raso, forrando o mesmo com folhas de plantas ou então envolver o alimento nas folhas, antes de colocá-lo no fundo do buraco. Cobrir o buraco com uma camada de areia ou terra, de 1 centímetro de espessura, e acender o fogo em cima dessa camada. Aguardar o tempo necessário e recolher o alimento cozido.
Cozimento por meio de Pedras Aquecidas: Aquecer várias pedras dentro de uma fogueira, e deixe-as ficar até desaparecerem as chamas e restarem as brasas. Depois de bem cozidos em seu próprio sumo, mariscos, ostras e mexilhões apresentarão suas conchas abertas, podendo ser comidos sem outra preparação.
Fervura por meio de Pedras Quentes: Faça um buraco no chão, forrando-o com lona, e colocando dentro a água e o alimento. Colocar as pedras aquecidas ao rubro, até a água ferver. Cubra esta vasilha com folhas grandes pelo período de uma hora até preparar a comida. Quando houver pouca água, evitar alimentos farinhosos (secos ou condimentados).
Fogo
Não faça fogueiras muito grandes. As pequenas exigem menos combustível, são mais fáceis de controlar e seu calor pode ser concentrado. Você necessitará do fogo para se aquecer, para se manter enxuto, para sinalizar, para cozinhar e para purificar a água pela fervura. No tempo frio, pequenas fogueiras dispostas em círculo, em volta de um indivíduo, produzem melhor efeito do que uma só e grande fogueira.
Pode-se acender fogo utilizando fósforos, isqueiros, pederneira de aço, lente de vidro, atrito, taquara de bambu, correia, etc.
Vestuário
A roupa protegerá do frio, do calor, queimaduras do sol, insetos (que podem causar doenças) e infecções causadas por arranhões.
Obs: Formigas (combater com gasolina ou fogo); Mutucas (as larvas penetram na pele, causam inchações e bolhas, trata-se com óleo na parte picada várias vezes ao dia e deverão ser mortas comprimindo-se com as unhas dos polegares); Sanguessugas (para se livrar aplicar um pouco de sal ou tocar com fósforo aceso ou ponta de cigarro e observar que a sucção das mesmas pode causar úlcera); Carrapatos (tirar apanhando-se entre o fio de uma e o polegar e observar que nunca deve achatá-los contra a pele, pois o carrapato pode estar cheio de germes de uma febre mortal).
Jornada sobre a Terra
Não sobrecarregue. Levar palitos de fósforo ou isqueiro, velas, bússolas, mapas, estojo de primeiros socorros, caderno de notas e lápis (tudo em saco plástico à prova d'água), machado ou faca, alimento, espelhos de sinalização, óculos para sol, relógio, fio metálico ou cordas estais para armar abrigo. A mochila deve pesar entre 12 e 15 kg.
Procurar sempre o caminho mais fácil e seguro com deslocamentos lentos poupando forças. Iniciar as marchas pela manhã e começar a acampar às 15:00, pois na selva escurece ás 17:00. Assinalar o caminho percorrido e o rumo seguido (setas em árvores e em pequenas pedras, quebrar galhos, amarrar pedaços de pano e modificar a paisagem natural).
Evite acampar perto de rios e riachos (preferir elevações a mais de 100 metros de um curso de água), árvores mortas ou debaixo de galhos secos. Acenda uma fogueira junto do seu acampamento e conserve-o limpo jogando o lixo em uma fossa cerca de 700 metros de distância. Uma vez ao dia dispa-se para verificar se não possui nenhum inseto no corpo (examine-se dos pés à cabeça).
Nos deslocamentos evite pânico e não se precipite.
Orientação por Bússola: Quem determina o norte é a agulha e não o limbo. Para se fazer a leitura das direções com segurança, o primeiro passo é colocar o "norte" do limbo de maneira que coincida com o norte da agulha. Marca-se a direção a ser seguida a partir do local do acidente. Sempre que for feita a leitura, certifique-se de que a bússola não está sob influência de alguma força magnética externa.
Obs: A bússola nunca diz o lugar onde se está e sim para onde se vai.
Orientação por Relógio: Coloque o número 12 do mostrador na direção do sol. A bissetriz do ângulo formado entre o número 12 e o ponteiro de horas indicará o norte a qualquer hora do dia.
Orientação pelo Sol: Para orientação pelo sol, estende-se o braço direito para a nascente. À esquerda teremos o Oeste, à frente o Norte e ás costas, o Sul.
Navegação Terrestre Diurna
Teoricamente compor-se-á de quatro homens: Homem Ponto => Lançado à frente para servir de referência; Homem Bússola => Portador da bússola e deslocar-se-á atrás do Homem Ponto; Homem Passo => Aquele que se deslocará atrás do Homem Bússola com a missão de contar os passos percorridos e transformá-los em metros e, para essa função, deverá ter o passo aferido com antecedência); Homem Carta => Será o que conduzirá a carta (se houver) e auxiliará nos pontos de referências.
Obs: Será interessante e muito aconselhável que todos os homens que integram um grupo tenham conhecimento do emprego da bússola e possuam o passo aferido, o que possibilitará o rodízio de funções. O uso do facão no mato será restrito, para que não se deixem pistas.
Técnicas de Navegação quando o Azimute é Desconhecido
Será o caso em que o grupo estiver perdido e tentará encontrar o caminho para salvação. Após um calmo estudo da situação, será selecionada uma direção da qual se tirará o azimute segundo o qual se navegará (evitando que se caminhe em círculos). Ao mesmo tempo permitirá o retorno ao ponto de partida orientando-se pelo contra-azimute.
O Homem Bússola lançará o Homem Ponto à frente, na direção do azimute até o limite de sua visibilidade. Determinará, com precisão, o local onde o Homem Ponto deve parar. O Homem Bússola se deslocará até o homem Ponto e o lançará novamente (ou seja, navegação por lances). O Homem Passo seguirá os dois, contando o número de passos e, á medida que atingir 50 ou 100 passos ou quantos convencionar, irá anotando-os (por qualquer meio possível) para converter passos em metros e saber o quanto se andou (tal procedimento é necessário caso haja a necessidade de voltar ao ponto de partida).
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