Princípios Gerais de Sobrevivência na Selva: Afaste-se a uma distância segura, voltar depois que se tenha evaporado o combustível derramado e esfriado os motores, permanecendo junto da aeronave. Trate logo dos feridos sem descuidar de sua própria condição física. Imediatamente acione o rádio transmissor de emergência.
Organize o grupo, distribua funções. Cada sobrevivente desempenhará uma função. Sem organização e conhecimento, dificilmente se retornará à civilização. Planeje cuidadosamente antes de agir.
Tripé de sobrevivência => Água, alimentação e sono. Descanse então física e mentalmente, ou pelo menos tente para se refazer do choque do acidente. Construa um abrigo, deixe tudo preparado à tarde, pois anoitece rapidamente.
Mantenha a liderança, mas não esqueça que a ajuda dos sobreviventes é indispensável, pois existem passageiros que são tão eficientes ou mais que certos tripulantes.
O maior inimigo na selva são os mosquitos e insetos transmissores de doenças, menor que animais selvagens e etc. Uma das prioridades serão o abrigo, a confecção de fogueiras e escolher dentre os sobreviventes os que tenham conhecimentos para a procura nas imediações de alimento e água.
Nas primeiras 24 horas deverá ser obedecido o racionamento tanto de comida quanto de água e permanecer próximo ao local tanto tempo quanto possível.
Manter os sinalizadores protegidos, porém prontos para o uso tendo cuidado de só utilizá-los quando vista ou ouvida uma aeronave. Junte também a maior quantidade de combustível possível, mantendo este material sempre seco.
A média de tempo para os sobreviventes serem localizados é de aproximadamente 4 dias. Caso seja necessário abandonar a área do acidente, leve em consideração o estado físico dos sobreviventes e as facilidades ou dificuldades de locomoção. Não se esquecer de fazer marcas bem visíveis ao longo da trajetória seguida, não se esquecendo de levar bússolas e outros auxílios.
Observação Importante: Enquanto o socorro não chega, o aconselhável é permanecer junto á aeronave e aguardar. A maioria das missões de busca e salvamento bem sucedidas se deu desta forma.
Você só poderá abandonar o local do acidente nas seguintes condições: Recebeu instruções por parte das equipes de resgate; Ter certeza que conhece a região e encontrará ponto melhor para abrigo, alimentação e socorro com os recursos disponíveis; Após ter esperado vários dias e tiver certeza de que a possibilidade de salvamento é remota.
Sinalização: Procurar desde cedo estabelecer uma comunicação pelo rádio e preparar sinalizações visuais.
=> Colocar objetos de coloração viva sob a asa do avião e ao redor do mesmo. Objetos, cujas cores contrastem com o verde das árvores ajudam na localização. Utilize os sinais da Organização de Aviação Civil Internacional para improvização de suas mensagens no solo.
=> Distribua diversas fogueiras num raio de 50 a 100 metros do avião de maneira que possam ser rapidamente ativadas. Próximo às fogueiras mantenha duas latas contendo, respectivamente, óleo de lubrificação e água. Para produzir fumaça negra, empregue óleo ou pedaços de borracha e para fazer fumaça branca, ponha fogo em folhas verdes ou musgos. Lembrar que durante o dia se utiliza fumaça e à noite chamas.
=> Faça sinais com lanterna elétrica e desarrume o máximo possível o local onde se encontram tornando seu aspecto pouco natural.
=> Economize combustível e os artifícios e as bombas de fumaça devem ser conservados secos.
=> Espelho: Avistando um avião de socorro, utilize o espelho de sinalização. Este espelho é capaz de refletir a luz de ambos os lados e é munido de um orifício central, Obviamente é de uso diurno.
Observações Importantes:
SAR => Sinalização Aeronaves/Sobreviventes. Sigla que significa mundialmente o serviço de busca e salvamento (Save and Rescue).
Mensagem recebida e entendida durante o dia => O avião responde balançando as asas.
Mensagem recebida e entendida durante a noite => O avião enviará sinais verdes com uma lâmpada ou pirotécnicos.
Mensagem recebida e não entendida durante a noite => O avião fará curva de 360º para a direita.
Mensagem recebida e não entendida durante a noite => O avião enviará sinais vermelhos com uma lâmpada ou pirotécnicos.
Rádio de Emergência (Beacon) - Emergency Radio Beacon: O transmissor tem, fixada em sua cúpula, uma antena dobrada para baixo, presa ao corpo da mesma com uma fita porosa solúvel em água. Quando o rádio é colocado na água, a fita dissolve-se, liberando a antena automaticamente, deixando-a posicionada para transmissão de sinais. A antena poderá ser liberada manualmente se o pouso for realizado em terra, Junto ao estojo do rádio há uma fita cuja finalidade é manter o transmissor preso á embarcação ou á margem de algum curso d'água perto do local do acidente.
O Rádio de Emergência emite "S.O.S". na frequência 121,5 MHZ (civil) e em 243 MHZ (militar), mantendo sempre alerta especialmente no "Período Internacional do Silêncio" que vai:
=> 15 aos 18 e 45 e 48 minutos (no ocidente).
=> 00 aos 03 e 30 aos 33 minutos (no oriente).
Para desligá-lo, em qualquer situação, basta retirá-lo da água colocando-o na posição horizontal. Depois de seca a bateria, não haverá condição de ser novamente acionado. Aliás, este procedimento não é recomendado. O ideal é deixá-lo funcionando até se esgotar a bateria.
Abrigos: O abrigo mais fácil de armar consiste em uma lona estendida por cima de uma corda ou uma vara, entre duas árvores ou estacas. Uma das primeiras necessidades será sempre a obtenção de abrigo enquanto se aguarda a chegada dos serviços de busca e salvamento. O abrigo ideal será a aeronave, pela quantidade de recursos disponíveis, e principalmente por proteger quanto às principais agressões do ambiente.
Existindo vítimas fatais no interior do avião, as mesmas deverão ser retiradas e enterradas a uma distância razoável da aeronave, marcando-se evidentemente o caminho e o local, para que possam ser localizadas quando chegar as equipes de salvamento. Esta conduta tem por objetivo eliminar o impacto negativo da permanente visão de mortos por parte dos sobreviventes, além do que, é a conduta óbvia.
Os sobreviventes feridos deverão ser acomodados no interior da aeronave para evitar a contaminação dos ferimentos. Não havendo a possibilidade de tomar a aeronave como abrigo, lembrar que nos porões de aeronaves costumam ser transportados itens como roupas, medicamentos, alimentos, água, equipamentos e objetos que poderão ser de extremo interesse e necessidade para quem se encontra na luta pela sobrevivência.
Locais a serem evitados: Terrenos inclinados, áreas sujeitas a avalanches, terrenos baixos sujeitos a inundações, locais sujeitos a queda de rochas, muito expostos aos ventos, próximos a charcos, pântanos, próximo a grandes árvores que se destacam das demais, embaixo de coqueiros e árvores com galhos secos. O local ideal deverá ser um ponto pouco elevado, seco, a mais de 100 metros de curso de água (rios ou correntes), para evitar os riscos decorrentes de possível inundação. No entanto, o local deve oferecer facilidades para obtenção principalmente de água e lenha.
Construção do acampamento: Usar recursos do conjunto de sobrevivência (lonas, plásticos, cordas, machado e etc.). Partes da aeronave e materiais naturais do local. Montar a barraca alinhada na direção em que se sopra o vento, de costas para o mesmo. Eliminar do terreno, tanto quanto possível, pedras e gravetos. Firmar bem as estacas em um ângulo de aproximadamente 30º com relação à barraca, e se o terreno for arenoso, usar estacas mais longas.
Obs: Não dormir diretamente no chão, visto que o contato com a terra fria pode ser nocivo além de evitar contato com umidade, formigas, aranhas, escorpiões, etc. Poderá ser improvisado um leito com uma armação de estacas resistentes, que deverá ser coberto com folhas longas que devem ser assentadas em quatro ou cinco camadas.
Os abrigos coletivos, além de serem mais fáceis de construir, utilizam uma quantidade menor de material e propiciam um contato maior entre os sobreviventes, proporcionando um controle maior.
Fogueira: Afastada da vegetação mais seca e da própria barraca, tendo em mente que o fogo é uma das grandes ameaças à vegetação.
Depósito de lixo e "banheiro natural": Abrir um buraco a uma distância razoável do acampamento para servir de depósito de lixo. A solução para o "banheiro natural" é a mesma e, após casa uso, jogar uma camada de terra. Deverão distar o mais possível do acampamento e de fontes de água e também não deve haver acúmulo para evitar atrair roedores, serpentes, insetos, etc.
Abrigo para chuvas e contra mosqueteiros: Um bom abrigo contra chuvas pode ser armado cobrindo-se uma estrutura em forma de "A" com boa qualidade de folhas de palmeiras ou folhas largas que for possível encontrar, pedaços de cascas de árvores ou feixes de capim. As folhas deverão ter as pontas para baixo e sobrepondo-se. As estacas que suportam o estrado devem ser suficientemente longas para suportar adequadamente um mosqueteiro. O estrado deve ser coberto com folhas largas, capim ou folhas de palmeiras, após dividi-las ao meio talo e tornar-las macias. Estas folhas deverão ser assentadas em quatro ou cinco camadas.
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