Minhas escolhas desde o princípio foram opostas às de minhas companheiras. Seguimos caminhos diferentes, cada uma com seu jeito de ser e amar a si mesma e aos outros.
Não por força cultural de minha família ou de qualquer outra que possa imaginar, mas pelo desejo em arriscar algo que nossa sociedade tentou colocar em estatísticas o quão poderia afundar o "arca" que sempre almejei construir.
Tijolo por tijolo, cimento por cimento e, porque não, madeira sobre madeira, para que possa suportar cada desejo que embarcou nessa viagem pelo meu mundo simplificado que iniciou pelo primeiro olhar quando jovem.
Ondas e mais ondas atravessaram o andar de meu barco tentando enfraquecer sua estrutura, mas fui forte ao guiar meu timão em direção à capela que sempre esteve guardada dentro de minha alma para que adentrasse o marinheiro que, ao meu lado, com olhares trocados e promessas feitas, ajudou-me em meio às tantas tempestades buscar por estes mares o concreto para o formato de meus ideais.
Aos desejos entreguei cordões umbilicais para novos navegantes. Aos novos navegantes entreguei esperança de mares calmos. Aos mares calmos me ajoelhei e chorei. E, as lágrimas, acompanhadas pela felicidade ao lado do marinheiro, dediquei às energias positivas que sempre nos acompanharam.
E, depois de atravessar estes mares e apreciar os raios solares que aquecem este lar-doce-lar, me sinto completa ao contemplar esta posição de "dona-de-casa" pelo poder de cuidar destes navegantes e do marinheiro que ao meu lado fica e, quiçá, ficará.
Agora canto, sorrio e converso comigo mesma através dos sons que emano para dar continuidade em terra firme o que começou com uma simples "arca" e uma tripulante.

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Caminho das Águas
Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...
A barca segue seu rumo lenta
Como quem já não
Quer mais chegar
Como quem se acostumou
No canto das águas
Como quem já não
Quer mais voltar...
Os olhos da morena bonita
Agüenta que tô chegando já
Na roda conta com o seu
Ouvir a zabumba
Me leva que quero ver
Meu pai...
Maria Rita
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