domingo, 25 de janeiro de 2009

Sobrevivência na Selva, no Mar, no Gelo e no Deserto Parte VI

Sobrevivência no Deserto

A maior de todas as faixas de terras áridas do mundo estende-se desde o norte da África, passado pela região do Golfo Pérsico até a Ásia Central. As dificuldades de sobrevivência em áreas desérticas baseiam-se, principalmente, na obtenção de água e na resistência às temperaturas extremamente altas destas regiões.

Abrigo: No deserto, a construção de um abrigo protegerá os sobreviventes do calor e dos raios solares durante o dia e do frio durante a noite. A aeronave não deverá ser utilizada como abrigo durante o dia devido á elevada temperatura. No entanto, no período noturno, poderá ser usada como abrigo devido ao forte frio, principalmente no inverno, quando ocorrem pancadas de chuvas. Caso haja tempestades de areia, procurar abrigo embaixo da asa do avião.

Podemos utilizar partes da aeronave para improvisar um abrigo ou ainda cavar sob pedras a fim de obter sombra durante a maior parte do dia.

Sinalização: As fogueiras devem ser feitas de forma que pareçam um triângulo equilátero e afastadas aproximadamente 30 metros uma da outra e procurar mantê-las sempre acesas.

Obs: Não se deve utilizar nenhum tipo de sinalização durante uma tempestade de areia.

Água: O sobrevivente necessitará de água de 2 a 3 vezes a mais do que na selva, ou seja, de 4 a 6 litros. Deste modo, devemos => Colocar a água à sombra, racioná-la e tomar precauções contra possíveis perdas; Não beber água nas primeiras 24 horas após o pouso, exceto doentes e feridos; Manter-se à sombra, se possível, durante as horas mais intensas de calor, o que evitará a sua transpiração; Se houver pouca água, usá-la apenas para umedecer os lábios; Se houver menos de meio litro de água por dia, não comer e não fumar; Quando encontrar água, deve-se tomá-la bem devagar; Goma de mascar, botão e outros pequenos objetos, quando colocados na boca; ajudam a conservá-la úmida, pois aumentam a salivação.

Ao encontrar plantas deve-se cavar ao seu redor ou em suas proximidades e, provavelmente, surgirá água. Pode-se encontrar água também nas curvas dos leitos secos de rios ou em áreas baixas. Os locais onde se encontram areias úmidas, além de indicarem a presença de água, apresentam uma vegetação mais abundante. Algumas plantas do deserto retêm água nos seus troncos, ramos e raízes.

Alimento: Durante o período seco, os vegetais permanecem em estado de latência (estado "morto"), mas podem fornecer alimentos e até mesmo água. Ao se encontrar um vegetal que pareça estar seco, deve-se cavar e buscar duas raízes, que provavelmente servirão como fontes de alimento. As partes das plantas que, por ventura, sejam encontradas acima do solo, servirão como fontes de alimento. O cacto bojudo e seus frutos são comestíveis, mas os favos e grãos frequentemente são espinhosos e amargos. Os mesmos podem se tornar comestíveis se ficarem imersos em água por tempo prolongado (verificar a disponibilidade de água para isso).

A procura de alimentos de origem animal deve se basear na busca de lugares onde exista certa umidade. Os animais mais comumente encontrados no deserto são pequenos roedores, coiotes, lagartos e cobras.

Obs: Sempre lembrar que a alimentação dependerá da quantidade de água.

Cuidados no Deserto: Deve-se dar uma atenção especial ao vestuário para evitar queimaduras na pele. Usar calça e camisa com pernas e mangas descidas. A camisa deve ficar solta para permitir a ventilação e desta maneira, ficar mais fresco. Durante as tempestades de areia devemos tapar a boca e o nariz. No deserto, como na selva, não se deve abandonar o local do acidente a menos que se tenha certeza de conhecer sua localização. Assim, em altíssimas temperaturas durante o dia, não são permitidas longas jornadas.

Sobrevivência no Gelo

Temperaturas muito baixas, escassez de alimento e, principalmente, a ação dos ventos, fazem com que o homem, caso não conheça algumas noções básicas de sobrevivência, tenha uma sobrevida muito pequena. A maior quantidade possível de roupas deve ser mantida. A manutenção da temperatura do corpo é um dos maiores segredos para o êxito na sobrevivência no gelo. As extremidades, mucosas e face devem ser muito bem protegidas. Um pouso em uma região gelada pode acontecer sobre uma camada espessa de gelo continental suficientemente forte para suportar o peso da aeronave ou sobre uma camada de gelo mais fina, que se forma sobre o mar e, cuja resistência, é limitada. Esta camada pode se quebrar pela ação dos ventos e marés, dificultando ainda mais a situação.

Ação Imediata: As ações imediatas são idênticas às da sobrevivência na selva. Deve-se providenciar abrigo imediatamente após o acionamento dos rádios-faróis de emergência, pois, inclusive a eficiência na prestação de primeiros socorros poderá depender deste fator. Logo após a construção deste abrigo o tripulante deverá acender um fogo para aquecer e iluminar.

Abrigo: O interior da aeronave não deverá ser utilizado como abrigo, entretanto, as partes da sua fuselagem ou do interior poderão ser utilizadas para a confecção de um abrigo. Deve-se ter o cuidado especial ao manusear as partes metálicas da aeronave que não estejam pintadas porque, em contato direto com a pele, poderão causar lesões irreversíveis. As escorregadeiras e os barcos salva-vidas também poderão servir como abrigo, desde que devidamente fixados sobre o gelo. Dentre as formas de abrigo, temos as trincheiras, as cavernas de neve e os iglus.

Trincheiras: Proporciona uma proteção eficiente e deve-se tomar cuidado para que a entrada não se localize na direção do vento. Para a cobertura, costumam-se utilizar toldos, escorregadeiras, pedaços de fuselagem ou blocos de neve formando um "v" invertido.

Caverna de neve: É cômoda, porém de difícil construção. Apresenta maior possibilidade de intoxicação por monóxido de carbono do que a trincheira.

Fogo: Os combustíveis são provenientes da própria aeronave (querosene e óleos) e das gorduras de origem animal. Para promover fogo com gordura de origem animal deve-se depositá-la em um recipiente, utilizando-se um pavio para acendê-la. A chama produzida pela queima deste combustível é muito brilhante e pode ser avistada de grandes distâncias.

Água: Pode-se derreter o gelo, tomando-se cuidado para não utilizar gelo proveniente de águas onde haja concentração de animais (bactérias, dejetos fecais, vírus, etc.) ou colhendo-se água de fonte natural, oriunda do degelo.

Alimento: As focas serão a principal fonte de alimento (juntamente com o que consta na aeronave). No caso de regiões continentais geladas, a alimentação pode-se basear nos animais de caça e possíveis roedores.

Cuidados Especiais no Gelo:

Fogo: A queima de velas, lamparinas e semelhantes, no interior dos abrigos, promove a liberação de monóxido de carbono, que é um gás altamente tóxico. Deve-se providenciar, então, uma pequena abertura no abrigo.

Congelamento: O congelamento a nível epitelial pode ser classificado em 1º grau (arrepios/vermelhidão e não são perigosos), 2º grau (flictemas/bolhas e indicam um processo de queimadura nos tecidos e 3º grau (necrose/apodrecimento e indicam gangrenas ou manchas escuras na pele pela diminuição muito grande do fluxo sanguíneo pela região.

Qualquer sensação de amortecimento ou anestesiamento deve ser encarada como prenúncio de congelamento. O frio intenso também pode ocasionar o estado de choque e a perda da razão, devido ao estreitamento dos vasos sanguíneos (pela hipotermia), ficando o indivíduo em estado letárgico. O sobrevivente deve, neste caso, ser tratado à base de imersão, iniciando-se o tratamento com água fria e, aos poucos, aquecendo-a.

Importante: O congelamento nunca deverá ser tratado através de fricção (ao tentar aquecer as cartilagens corre-se o risco de quebrar as mesmas) e a vítima terá o quadro agravado.

No desenvolvimento de esforços físicos deve-se evitar ao máximo a transpiração, pois o suor se congelará rapidamente ao cessar a atividade, causando hipotermia.

Cegueira: Não há uma adaptação natural da visão aos reflexos solares na neve, no gelo e na água. Os raios infravermelhos provocam fadiga ótica e dor intensa. É necessário proteger os olhos ao primeiro sinal de dor ocular.

Ação do Vento: O corpo humano usa energia para manter sua temperatura. Em regiões geladas este gasto energético é aumentado. O vento aumenta ainda mais a perda de calor e, consequentemente, ocorre uma sensação de frio ao dispensar as camadas de ar "aquecido" existentes entre a roupa e a pele.

Gretas e Fendas: São fendas encobertas de neve e que constituem perigo potencial para quem caminha sobre o gelo. Os deslocamentos somente deverão acontecer quando todos os elementos estiverem amarrados entre si e o primeiro homem (homem-guia) for capaz de vistoriar o solo com um bastão (ou similar) e detectar as gretas existentes.

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