Quero sempre viver a vida em sua plenitude. Curtir sem medo todos os momentos que a mesma me entrega nas mãos. Tentar alcançar o impossível e ser utópica. Jamais olhar para trás os sentimentos feridos e já recuperados.
Sou luta, sou garra, sou força e sou desnuda de tudo que me impeça de ir adiante. Gosto de desafios, curto escalar altos montes, amo a diversidade e devoro com a força de um leão o tempo com seus trilhos às vezes tortuosos, às vezes retos e, principalmente, quando o trem de minha vida transforma-se em uma montanha-russa.
Tenho o controle de minha estrada, mas perco o rumo quando vou de encontro com outros que não sabem aproveitar a poção mágica que a vida nos trás para rejuvenescer cada segundo que biologicamente envelhecemos.
Quando me deparo com os sentimentos avisto que é o momento onde me perco totalmente. Fogos de artifício estouram dentro de meu ser e, mesmo perdida, não deixo de perder qualquer fração de luzes e sons que saltam através de meu peito.
Mas existem instantes na qual fico paralisada quando não encontro o botão para acelerar meu par no mesmo ritmo. Tento ser paciente para esperar o momento dos outros e não ser intransigente. Às vezes agonizo minhas energias na espera do aumento do velocímetro.
E volta e meia, minha carga elétrica é maior e continuo nessa vibração intensa sem um companheiro à altura desta intensidade. Mas sempre olho pra frente, de cabeça erguida e feliz, pelo simples fato de que qualquer experiência vivida é somada na bagagem de minha história.

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Viagem
Suspenderam a viagem
Fui parar em outro trem
Que beleza de paisagem
Fomos rumo a Belém
Agora que é tempo
Colher fruta madura no vento
Pequi não sai do meu pensamento
Bacia cheia de manga bourbon
Nasce um sol, nasce uma noite
E um menino também vem
Que beleza de paisagem
É meu filho e passa bem
Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar
Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão
Vanessa da Mata
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