sábado, 4 de julho de 2009

A pausa continua...

Uma pausa diferente. Agora sem querer mais ficar entre quatro paredes unidas por tijolos e cimento, decorada com tinta com apenas duas aberturas. Os sons da chuva passaram junto com a mesma e resolvo sair e passar o dia todo em uma pausa com meus pensamentos e um cotidiano de um dia de final de semana que ainda não terminou.

A pausa continua para todos menos para o mundo e minha própria ótica que quer um olhar diferente pela rotina deste dia que seria igual aos outros caso não fosse o pedido de meu subconsciente para sentir de um modo diferente o caminhar das horas.

Observando apenas... Cada olhar, cada passo e cada ação de todos que por sorte (ou não) se defrontaram com minha presença ausente.

Cada momento e cada local demonstram-se completamente diferentes através de um observador antes apenas amador, agora detalhista. Os atos constantes não sentidos no passado são, enfim, aclamados por sentidos aguçados ao máximo e ao mesmo tempo calados.

O banho quente de quem observa cada detalhe da água que cai e que cada gota não pode ser desperdiçada por um simples capricho. O paladar aguçado de um café-da-manhã comum que se tornou digno de um hotel 5 estrelas.

Roupas que confortam e aquecem, sapatos que protegem os andares e os olhos que observam cada um em meu caminho rotineiro já fora de casa e percebe o quão fácil nos arriscamos em momentos de distração nessa epopéia de atos impulsivos de motoristas, brigas violentas entre humanos que não sabem apenas discutir...

Na academia, direto para as aulas de natação que acalmam os sentidos absorvidos pela água e direciona meus movimentos não em busca de perfeição, mas pela sincronia que quem faz parte de um mundo tomado em sua maior parte por água.

Seguindo para a musculação entre variados tipos de personalidades que utilizam tais aparelhos com objetivos variados. Uns querem uma estética perfeita sem antes perceber que quanto mais se corre atrás da perfeição, mais distante ela se encontra. Outros por questão de manter a saúde pela idade avançada e, sem querer alongar, também outros que se antecipam na preservação de um corpo e mente sãos antes que seja tarde demais.

Caminhando em direção ao Metro, imagens completamente diferentes aprecio com certa profundidade. Uma loja sem clientes e o empregado estampando um perfeito estado de tédio. Uma janela aberta e uma senhora presa em seus pensamentos olhando para um céu que a presenteia com um Sol tímido que não aquece e também não esfria. Pessoas desamparadas que visualizam este mesmo céu, mas de uma forma completamente diferente pela injustiça social na qual vivemos. Latas de lixo de cores variadas tentando conscientizar quem por elas passa sobre algo que em poucas palavras ficou implícito.

Já dentro deste transporte público de massas diferenciadas, entram e saem pessoas que dificilmente verei novamente. Assentos diferenciados para os mais necessitados pela falta de compreensão da grande maioria desta "massa". Casais de diferentes idades que faz este olhar se perder por uns momentos e querer montar entre eles uma certa linha do tempo.

As portas continuam seu ato de abrir e fechar em cada estação para que uma nova aglomeração de gente pudesse ser apreciada.

Aglomeração de diversas formas, tamanhos e cores. Dos mais imperceptíveis aos impossíveis de não serem percebidos. Sim, aprecio-me desta fauna entre cada estação que a transforma até que chega o momento de minha retirada.

Enfim, deparo-me com o mesmo Sol que sem aquecer ou esfriar enquanto continuo a caminhar. Agora encontro-me em um local bem diferente do inicial. Mais refinado, mais movimentado e, por alguns instantes deixo de apreciar e caminho com pernas firmes, olhar atento apenas para não perder-me e uma mente apreciando os fatos que antes eram "presente" e, agora, são "passado".

Voltando ao objetivo desta pausa, sento-me em um local por onde passam pessoas de níveis sociais acima do meu e outras que, por simples questão de imagem, conseguem passar despercebidas e percebidas ao mesmo tempo por quererem, naqueles momentos, serem catalogados de forma diferente como se fosse um ato de auto-afirmação perdido em si mesmo.

Caminho por alguns instantes e decido retornar ao local de origem, visto que o Sol se faz despercebido pelo seu movimento de rotação pedindo uma despedida e volto passando pelos mesmos tipos pessoas, casais, olhares e massas com atores diferentes.

Mas, nessa pausa, a ótica recebe as mesmas informações antes percebidas e também pede sossego. Um sossego que termina no local de origem, entre as mesmas paredes, pedindo descanso.

O fim-de-semana acabou e os outros 5 dias que não fazem parte deste não permitem pausa...




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Encontros e Despedidas

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

Maria Rita

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