sexta-feira, 3 de julho de 2009

Entre dois tempos...

No passado, antes mesmo de entender como as relações amorosas se desenvolvem, sempre se tem a primeira paixão platônica na vida. E, por estatísticas pessoais, verifico que tais paixões que desbravam um coração que antes nada entendia sobre tal tipo de sentimento, acontecem sempre no colégio e, quase que 100% delas, na mesma turma.

E, quando acontece, é uma mistura de carnaval fora de época com luto primeiro, pelo êxtase desse descobrimento e, segundo, pelo medo que cala e faz engolir a própria língua por simplesmente não saber o que fazer e temer que nada poderá recíproco.

E o tempo passa, chegam as férias e nada é feito. Um novo ano no colégio se inicia, as turmas são diferentes, os sentimentos se enfraquecem pela distância e, com o passar do tempo, chega-se ao alívio com o fim desse carnaval.

Mas é claro que outras aparecem depois e, nessas horas, já se sabe ao pé da letra como vai acontecer, a intensidade será menor e o medo desaparecerá até que em uma dessas paixões platônicas a língua pula para fora da boca. Sem querer prolongar, ocorrerão respostas negativas e positivas também. Sorte de quem tem uma resposta positiva logo na primeira declaração. Ou então, mais sorte ainda quem não se calou logo de primeira e recebeu uma resposta positiva. E, pensando bem, me perderei se for tentar colocar em palavras as possíveis possibilidades e também irritado ficarei ao lembrar de alguns exercícios de matemática daquela época (como eu não os suportava!!!).

O tempo passa, o colégio termina e todos seguem seus caminhos finalizando uma etapa da vida de muitos aprendizados (e quantos!!!).

E fico estático nesta parte do texto quando percebo que aquele garoto (ou garota), que teve aquela primeira explosão em seu coração se reencontra com aquela garota (ou garoto, enfim...) em um tempo qualquer, já adultos, e começam a lembrar algumas das fases que passaram no colégio até o momento em que, aquele garoto (ou garota... TANTO FAZ!!!), comenta sobre sua primeira paixão platônica e faz uma declaração (que, na verdade, naquele atual momento, não passa de uma simples informação), expondo os sentimentos antigos...

Acendo um cigarro não por nervosismo, mas por simplesmente não querer divagar demais e ter um foco. Situação na qual a outra parte também diz que ele (ou ela, okokok) foi também sua primeira paixão platônica.

Uma ótica diferente surpreende meus olhos e o tempo pede um descanso e caminha lentamente, os olhares de cada um parecem construir uma linha tênue e, como se fosse em câmera lenta, dois sorrisos simples iniciam contornos idênticos e a visão não mais é de dois adultos e sim daqueles dois jovens no colégio anos atrás...

Mas muita coisa mudou e os minutos voltam ao seu ritmo normal e os adultos retornam aos meus olhares.

De repente, tudo que era colorido se tornou cinza ao verificarem que a paixão não mais existe e que um deles possui um anel entre os dedos de uma das mãos. Situação constrangedora que pede um final rápido onde nada mais resta além de um simples "tchau", com cada um seguindo um rumo diferente.

Intenso é sentir que, depois que cada um seguiu sua direção pensam se, naquele momento do passado, algum deles tivesse exposto seus mais íntimos e conflitantes sentimentos, algo no presente poderia ser diferente.

Intrigante é presenciar que nenhum deles teve coragem de dizer o que nesse momento pensam e, caso um teve a coragem de olhar para trás e clamou por corrigir este erro, não conseguiu ver onde se encontra o outro e pela intensidade do momento, não trocaram telefones, e-mail, orkut, facebook (quantas possibilidade de manter contato através dos tempos...), e tudo ficou como era, no passado, entre dois tempos sem conexão.



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Tudo Se Perdeu

Era somente transar no celular

Era só a gente adorar se isolar
Era não ter medo de se machucar
Meu Deus, olha o que me aconteceu
Tudo se perdeu
Tudo desandou
Agora não vai mais emendar
O que se quebrou

Caio com Mayza na fossa em francês
Ninguém mais aguenta drum´n bossa em inglês
Vê se se toca que amanhã é 23
Meu Deus, olha o que você me fez
E olha o que me aconteceu
Tudo se perdeu
Tudo desandou
Agora não vai mais emendar
O que se quebrou
Tudo se perdeu
Agora não vai mais emendar
O que se quebrou
Agora não vou mais te encontrar
Tudo se acabou

Paula Toller

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