segunda-feira, 29 de junho de 2009

Uma imagem, apenas isso...

Como todo final de semana, "onde tudo pode acontecer" e tudo pode fazer com que os rumos mudem e novas experiências apareçam não quero guerrear, quero momentos de rendição!!! É o que quero agora, nada mais além disso, algo novo por simplesmente um dia em um final de semana.

Esqueço-me de todas as convicções e até mesmo da minha essência pelo simples fato de, por hoje, apenas hoje, fazer diferente e ser igual à maioria. Tem dias que cansa carregar consigo tudo o que é e o que procura e sinto a necessidade de ser diferente do que sou e igual à maioria por apenas um dia.

Antes mesmo de anoitecer ligo para todos meus amigos e pergunto qual é o melhor lugar, onde estão os mais belos rostos, onde estão as facilidades de apenas uma diversão e tento levar alguém para este dia de devaneio. E, mesmo sendo completamente diferente dos meus ideais, quero cometer "dois pecados capitais" em uma noite.

Quero cometer o pecado da luxúria de colocar a melhor roupa, da mais cara grife e sentir-me mais confiante por esta insignificância. Quero cometer o pecado da vaidade e "me maquiar" fazendo-me uma pessoa diferente por fora para ser notado mais do que naturalmente acontece.

Que nunca fez isso??? Aliás, refazendo a pergunta: Quem nunca fez isso mais de uma vez, duas, três???

Sim, não tenho vergonha em admitir que farei isso. O ser humano é fraco e tende a cometer pecados e hoje é minha vez. Em vez de sapo serei príncipe, em vez da fera, serei o belo, em vez do certo, quero realmente ser o errado (ou não...)!!!

Muitos são assim e tenho amigos que também sentem essa necessidade e, claro, que não irei sem essas companhias. Não sairei de casa como sempre. Repito, é dia de luxúria e da vaidade nesta noite que clama pelos que querem pecar por períodos momentâneos que em nada mudarão o rumo de suas vidas.

É fácil aproveitar uma noite após colocar uma máscara que, sabemos, cairá assim que a noite se for. São apenas poucas horas em meio a uma vida inteira. Uma balada, muitos olhares, muitas paqueras, muitos beijos talvez... Esse é o momento da rendição!!!

Rendido estou em meio ao local e às pessoas que buscam o mesmo que busco. Chegou o momento de fazer o que não faria, mas como viajarei neste mar como "um novato marinheiro"???

Diretamente para o bar e, nesse exato momento, faço uma "ode" ao álcool que liberta, que libera, que amolece, que solta... Uma outra "ode" à pista de dança, que seria completamente igual aos bailes públicos de séculos atrás não fossem às liberdades conquistadas e aos pudores esquecidos. E, durante este baile modificado pelos séculos, cometo os pecados que queria e saio com promessas falsas, com palavras jogadas sem aposta alguma, com beijos trocados sem compromisso algum...

Mas, antes que a noite acabe, retorno ao meu local de origem, retiro a máscara, limpo a alma e vou dormir satisfeito por conseguir, por algumas horas, ser apenas uma imagem, apenas isso...

Mas, o importante é que isso não se torne rotineiro, caso contrário, serei igual à maioria e, como todos que se prezam, desejam ser diferentes, únicos... Pena que muitos cometem o erro de fazer deste momento de devaneio algo contínuo por sua facilidade e, um dia, quando a "máscara não colar mais" poderá ser tarde demais... (ou não).

Mas a vontade ser apenas uma imagem por algumas horas e cometer tais pecados não traz consigo nenhum remorso. Convenhamos que uma vida inteira sem pecados é viver fora da realidade e não ter os pés no chão. Estou errado??? Ou será que os que cometem tais pecados estão certos???

Não há como saber, cada um escolhe seu caminho e, sabendo ou não das consequências, corre-se o risco. E, querendo questionar novamente, ser apenas uma imagem em locais onde a maioria são iguais, é errado??? Não existem muitos outros momentos em que essa imagem não é necessária???

Não quero mais questionar, afinal, quem sou eu para questionar os outros se nem ao menos encontro respostas para os meus próprios questionamentos...



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Cidade Elétrica

Em nossa cidade tem mais poetas e artistas
Que pedras portuguesas
Pra cada dia um santo, um manto
Para cada esquina, um canto
Milhões de ampéres movidos a carvão e paixão
Minha Cidade é maravilhosa
Minha Cidade é elétrica

Fibra lúdica
Energia solar
Festa histórica
Ótica da crença
Tudo aqui tá ligado
Aqui tudo é dança
Fevereiro apaixonado
Tudo aqui balança
Chuveiro de água benta pra lavagem de escada
Alma lavada de fé
Um choque de alegria
Na força da fantasia

Axé, axé, axé
Cidade elétrica
Cidade elétrica
Nova, antiga, ginca, toca, liga, liga, liga
Cidade elétrica, cidade elétrica

Usina de emoção
Plug, poesia e canção
Na estética

Na prática
Na mágica
Na corrente do coração

Cláudia Leitte

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