Vigilância Epidemiológica: É responsável pelo controle das doenças transmissíveis através de vacinação, saneamento básico, melhoria da habitação, educação para a saúde, investigação epidemiológica e controle de doentes e comunicantes.
A notificação de doenças é um dos elementos fundamentais no controle de doenças transmissíveis e contribui de dois modos distintos: 1) Possibilita a descoberta de novos casos de doenças e o desencadeamento da investigação e das ações de controle dos comunicantes e do meio ambiente; 2) Permite, graças às informações decorrentes das notificações, investigações e a análise do comportamento epidemiológico das doenças, a avaliação dos programas elaborados e a fixação de novas metas e prioridades.
Ou seja, vigilância epidemiológica é o alerta permanente e responsável relativo à ocorrência e distribuição das doenças e dos fatores ou condições que propiciem o aumento do risco de transmissão ou da gravidade das doenças.
São, portanto, de notificação compulsória às autoridades sanitárias, os casos suspeitos ou confirmados de: 1) Doenças que podem implicar em medidas de isolamento ou quarentena de acordo com o regulamento sanitário internacional; 2) Doenças constantes de relação elaborada pelo Ministério da Saúde para cada Unidade de Federação.
Doenças que são objeto de notificação compulsória em todo o território nacional, bem como de investigação epidemiológica: Febre amarela, cólera, tuberculose, tétano, doença meningocócica e outras enfermidades, febre tifóide, leishmaniose, sífilis, encefalite por arbovírus, malária, varíola, poliomielite, raiva humana, dengue, leptospirose, peste, doença de chagas, gonorréia, aids e esquitossomose.
As doenças infecto-contagiosas, por serem transmissíveis, podem contagiar pessoas que entrem em contato com portadores. São classificadas como: 1) Endêmicas => Quando sua presença é contínua dentro de uma zona geográfica determinada; 2) Epidêmicas => Quando há uma eclosão e o número de casos que surgem na comunidade excede o da incidência normal esperada; 3) Pandêmicas => Quando quase toda a população é atingida.
Malária: É uma doença aguda causada por uma das espécies de protozoários do gênero "Plasmodium", com período de incubação médio de 12 dias. A transmissão ocorre através da picada de mosquitos do gênero "Anopheles". No Brasil, a malária é endêmica na Região Amazônica e Centro-Oeste. O paciente apresenta febre alta e intermitente, acompanhada de intenso calafrio, que o acomete a casa 24, 36 ou 48 horas. As complicações mais frequentes são insuficiência renal aguda, choque, encefalite, coma malárico e edema agudo dos pulmões seguido de morte. O tratamento é feito com o emprego de antimaláricos, objetivando sempre combater as formas periféricas e teciduais.
Febre Amarela: É uma doença aguda e de início abrupto caracterizada por febre alta com calafrios, perda de albumina pela urina e vômitos hemorrágicos. O vírus da febre amarela é transmitido através da picada do mosquito "Aaedes Aegypti" (mesmo mosquito que transmite a dengue) e com período de incubação de 3 a 6 dias. No Brasil, pode ser encontrada nos Estados do Amapá, Pará, Acre, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso e é considerada uma doença endêmica.
Existem 2 tipos da doença: 1) Febre Amarela Urbana => Pode ser controlada pela erradicação do mosquito; 2) Febre Amarela Silvestre => Impossível de ser controlada, visto que o vírus é encontrado nas florestas em seu reservatório natural.
Os enfermos queixam-se de dor de cabeça intensa e dores nas costas. Apresentam febre alta com pulso lento e icterícia (coloração amarelada da pela e das mucosas). A icterícia se deve à destruição das células do fígado e à passagem para a corrente sanguínea, de grande quantidade de bilirrubina. Surgem também vômitos de sangue escuro (hematêmese), e consequentemente, evacuações de sangue também escuro (melena). Podem surgir pontos hemorrágicos na pela (petéquias) e sangramento pelas gengivas. Seguem-se hipotensão, delírio, choque, convulsões e coma.
É uma doença que deixa o paciente muito prostrado, podendo levá-lo ao óbito em duas semanas. Os doentes que conseguem sobreviver ficam imunes para toda a vida. A mortalidade é alta em virtude de não haver tratamento específico (faz-se o tratamento sintomático com analgésicos, antitérmicos, hidratação e com todos os cuidados de enfermagem.
Obs: Toda doença causada por vírus (virose) não possui medicação. Deverá restabelecer o sistema imunológico para combater.
Doença de Chagas: Doença sistêmica, infecciosa, endêmica e causada pelo protozoário "Trypanosoma Cruzi". Intensamente disseminada nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Bahia, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Paraíba, ela se apresenta de forma endêmica. É uma doença transmitida por insetos que durante o dia vivem escondidos nas frestas das casas de taipa e são conhecidos como Barbeiros.
O período de incubação é de 5 até 14 dias e o enfermo apresenta febre alta, mal-estar, astenia (fraqueza), falta de apetite e dor de cabeça. Pode ocorrer adenomegalia (aumento dos gânglios linfáticos), hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço) e edema (aumento do coração, podendo causar insuficiência cardíaca) em sua fase aguda e, em sua fase crônica, o Trypanosona Cruzi se assesta no coração, esôfago e intestino grosso, causando o aumento do volume desses órgãos.
A profilaxia consiste na educação sanitária, na melhoria da situação sócio-econômica da população e no combate ao Triatomídeo (forma menos desenvolvida do trypanosona cruzi). Quanto ao tratamento, ainda não existe uma forma definitiva de combate específico da doença.
Cólera: É uma doença aguda de início súbito, causada por um bacilo, o vibrião colérico, encontrado nas fezes. O período de incubação é de 1 a 3 dias e os sintomas iniciam com o surgimento abrupto de diarréia líquida, em grande quantidade, e contendo pedaços de muco. Surgem vômitos profusos.
Essa fase é chamada de período de evacuação e dura de 2 a 12 horas. Em seguida, em virtude de intensa desidratação, a pele se torna frouxa, os olhos encovados e o paciente apresenta um ar patético e grande ansiedade. Como é grande a perda de eletrólitos, o enfermo passa a ter câimbras intensas. O paciente não perde a consciência, mas seu estado de prostração e astenia é muito grande.
Chama-se a essa fase período de colapso (período crítico e possível morte). Se o paciente sobrevive a esse estágio dramático da doença, em 4 ou 5 dias entra na fase de convalescença (é o chamado período de reação).
Para se prevenir de contaminações, recomenda-se que a pessoa faça o tratamento da água que vai ingerir, seja pela ebulição ou com tabletes de cloro ou iodo. Não devem ser ingeridos alimentos crus. Deve-se ferver o leite ou usar o pasteurizado, selecionar lugares de estadia isenta de moscas e nos quais os alimentos sejam manipulados por pessoas sadia.
Existe vacinação contra cólera, porém somente 50% das pessoas vacinadas adquiriram imunidade.
A cólera é facilmente tratada com o emprego de antibióticos.
Esquitossomose Mansonica (Verminose Intestinal): É uma enfermidade causada por um verme trematódeo do gênero Schistosomamansoni. No Brasil, a doença existe de forma endêmica nas Regiões Nordeste e Centro-Oeste. Seu período de incubação gira em torno de 4 a 6 semanas e vai desde a penetração das cercárias pela pele até a postura dos ovos pelas fêmeas adultas. Estas, juntamente com os machos, vivem acasalados nas veias do intestino do hospedeiro. Esses ovos atravessam a parede dos intestinos e são eliminados com as fezes. Quando caem na água liberam os embriões, chamados miracídios, que penetram em um caramujo do gênero Planorbis, eventualmente existente na região.
No caramujo, o miracídio evolui até chegar à fase de cercárias, as quais abandonam o caramujo e ficam livres na água. Se uma pessoa entra em contato com essa água, as cercárias penetram ativamente através da pele, caem na corrente sanguínea, passam pelos pulmões e depois ficam no fígado, até se transformarem em vermes adultos. Nessa fase vão para as veias do intestino e aí recomeça seu ciclo.
Na fase aguda da doença, o paciente pode apresentar infecção das vias aéreas superiores, bronquite asmatiforme, prurido e urticária. Pode ocorrer diarréia, febre, desidratação leve e aumento doloroso do fígado e baço. Anos depois surgem os sintomas mais graves. Então não há febre, o fígado se torna fibrosado, há aumento do baço, formação de varizes no esôfago, hipertensão ou hemorragia digestiva maciça causada por ruptura das varizes do esôfago.
A profilaxia da doença consiste no combate ao caramujo através do uso de inseticida lançado nas lagoas (método químico) ou pela presença de um outro caramujo do gênero pomacéa, que come os ovos e os embriões do planorbis, destruindo-os (método biológico). A fase aguda da doença pode ser tratada com esquitossomicidas, acompanhados do tratamento sintomático.
Febre Tifóide: É uma doença febril aguda transmissível e com grave comprometimento sistêmico. Causada por um bacilo, a "Salmonella Typhi", sua incidência é grande nas áreas carentes de saneamento básico. É transmitida somente ao ser humano através do ciclo anal-fecal-oral, pela água e alimentos contaminados com excreções humanas e por doentes agudos.
Portadores sãos são pessoas que albergam no seu organismo a Salmonella Typhi, porém, não apresentam os sintomas da doença e, portanto, não são capazes de transmiti-la a outras pessoas.
Os sintomas iniciais são a perda de apetite, prostração, dor de cabeça intensa e contínua, desconforto abdominal e náuseas. Nos casos graves há confusão mental, delírio e coma. É muito comum diarréia sanguinolenta. A morte geralmente ocorre por perfuração intestinal (a bactéria geralmente acaba com o intestino) e hemorragias.
É uma doença de notificação compulsória e o enfermo deve ficar em hospital de isolamento.
Febre Paratifóide: Esta é muito mais frequente que a febre tifóide. Seus sintomas são mais brandos e é causada pela "Salmonella Paratyphi".
Gonorréia ou Blenorragia: É uma doença adquirida através do contágio sexual, causada por uma bactéria, o diplococo, denominada "Neisseria Gonorrheae". Após um período de incubação de 2 a 5 dias, a doença se manifesta subitamente, causando no homem desconforto uretral seguido frequentemente de ardor e dor à micção e também a eliminação de secreção purulenta pelo meato uretral. É a uretrite anterior aguda que pode ascender e atingir a uretra posterior, próstata, vesículas seminais e o epidímio. Na mulher pode causar uretrites e cervites assintomáticas em cerca de 80% dos casos. Algumas vezes ocorre secreção vaginal. A doença pode causar esterilidade, principalmente na mulher, bem como atrite, faringite e até endocardite meningite. NO recém-nascido pode causar cegueira.
O tratamento é feito com penicilina benzatina 2.4000.000 UI, duas doses de 7 em 7 dias.
Herpes Simples: É uma doença causada por um vírus, o "Herpevirus Hominis" tipo 2. De uma forma geral, dissemina-se através do contato sexual com um parceiro que na ocasião está com herpes genital ou pelo contato orogenital com uma pessoa portadora de herpes labial em atividade.
Com um período de incubação que vai de 2 a 20 dias, inicialmente surge um ardor tipo queimação, prurido (coceira) ou inchaço no ponto do órgão genital atingido. Depois aparecem micro-vesículas que logo se rompem, formando uma única úlcera bastante dolorosa, com secreção branco-acinzentada, e que tende à cicatrização, sem deixar vestígios. A doença é altamente contagiosa, mesmo que o paciente não apresente úlceras, e persiste por toda a vida.
Antes das lesões surgirem, o paciente poderá sentir sintomas prodômicos, tais como, sensação de queimor ou suave ardor na área genital, nevralgia nas nádegas ou na região das coxas, que perduram por até 24 horas.
Herpes Labial Recorrente: Existem fatores que predispõem o aparecimento do herpes labial, tais como febre alta, queimadura do sol, traumatismos, tensão emocional (stress) e a fadiga. As lesões normalmente surgem do mesmo modo que no herpes genital, localizando-se nos lábios, junto à borda vermelha. Evolui para a cura como o herpes genital. A estomatite herpética ocorre com bastante frequência após o contato orogenital.
Não existe tratamento específico para o herpes até o presente momento.
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